quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Workshow Russel Allen em Salvador


Há cerca de seis anos atrás, durante a vinda do então ex-Shaman, Andre Matos e seu projeto solo, enquanto o público aguardava ansioso a apresentação do mesmo após a extinta Nomin sair do palco, um som agressivo, intrincado e extremamente técnico começou a ressoar pelo local. Quem conhecia ou era fã, simplesmente curtiu como se os responsáveis pelo som que ecoava estivessem no palco. Enquanto que, aqueles que ainda não conheciam, ficaram impressionados e admirados, em especial pela vocal agressivo e ao mesmo tempo melódico e extremamente versátil. Em seguida o apresentador do evento perguntou se todos conheciam aquele grupo e anunciou que o mesmo tocaria em Salvador naquele mesmo ano. A banda em questão era o Symphony X e, como todos devem saber, infelizmente eles (ainda) não vieram tocar em nossa cidade. Mas, para alegria dos fãs ansiosos, no ano corrente foi anunciada uma série de Workhows do excelente vocalista Russell Allen pelo país e Salvador estava entre um dos pontos de parada. 

Contando com a abertura de Thiago Bianchi (Shaman/ Noturnall) divulgando o lançamento do debut do seu mais novo projeto junto com membros do Shaman com Aquiles Priester nas baquetas, o evento começa com aproximadamente duas horas de atraso - o que fez com que a participação do Thiago fosse mais corrida. Basicamente, ele respondeu questões acerca do novo projeto e cantou duas músicas do mesmo em 40 minutos de apresentação.
Após alguns minutos de espera, eis que aparece no palco Marcelo Moreira (Almah) para anunciar o grande convidado da noite: "Sir" Russell Allen! Logo de cara, o gigante (o cara deve ter pelo menos 1,90!) começa com dois grandes clássicos do Symphony X: Of Sins And Shadows e Evolution dos excelentes The Divine Wings Of Tragedy ('96) e The New Mythology Suite ('00). Após a euforia das músicas iniciais, uma pausa para a interação com os fãs e início da sessão de perguntas. Muitas questões foram levantadas e muitas dúvidas tiradas em aproximadamente duas horas de apresentação/ bate-papo. A seguir, serão abordadas as questões mais pertinentes que vinham tirando o sono de muitos fãs.



Sobre o tão aguardado DVD do Symphony X:

Como era de se imaginar, os assuntos mais debatidos sempre envolviam a banda principal de Russell Allen. E dentre tantas perguntas, a que certamente expressava o pensamento dos muitos fãs presentes era: Quando o SymX vai lançar um DVD/Blu ray com performance ao vivo e porque isso não foi feito até hoje?
Direto, Russel Allen não teve papas na língua ao afirmar isso só vai acontecer "quando o Michael (Romeo) quiser". Enfático, o vocalista afirmou ainda que o Symphony X é a menina dos olhos do guitarristas, ou o "Michael Romeo's baby", nas palavras do próprio Allen. 

Sobre o Adrenaline Mob e a saída de Portnoy

Outro assunto bastante explanado foi sobre o supergrupo que contava com Mike Portnoy nas baquetas. Quando questionado sobre os motivos que levaram a saída do baterista, Russell Allen deixou claro o que muitos não sabiam ao afirmar que as "cabeças" da banda são ele e o guitarrista Mike Orlando. Ele ainda revelou que o Ex-Dream Theater no grupo era meramente um convidado de luxo e que não houve surpresa quando o mesmo decidiu sair. Allen ainda fez questão de enfatizar que o Adrenaline Mob não é um simples projeto e sim uma banda na qual ele tem maior contribuição e liberdade criativa.



Sobre Atomic Soul, Allen-Lande e outros projetos

Questionado se ainda pretendia lançar mais um disco do Atomic Soul ou algo mais voltado pro Hard Rock, o vocalista deixou claro que tem sim vontade retomar o projeto, mas ainda não encontrou o momento adequado para isso. Quanto ao projeto de idealizado por Magnus Karlsson (Allen-Lande), não foi revelado nenhum detalhe ou novidade*.

*Nota - Foi anunciado que o guitarrista Timo Tollkki comporia e produziria o novo disco da dupla, rumor na época confirmado recentemente em um teaser divulgado pela Frontier Records.

Sobre início de carreira, técnica vocal e equipamentos

Ao falar do início de sua carreira, o cantor também citou curiosidades sobre a sua vida antes da fama como, por exemplo, a origem do seu apelido "Sir Allen", que vem da época em que trabalhava como "Jouster" (Um tipo de duelista medieval). Nascido em uma família de músicos, Russell Allen revelou também que começou a cantar muito cedo e que, antes do Rock, ele costumava cantar música Country. 

Quanto a sua técnica e equipamentos, bem como a mudança de sua voz através dos anos, Russell relatou que nunca teve qualquer tipo de aula de canto e tampouco pratica longos exercícios de vocalização antes de cantar e que não usa equipamentos ou pedais de efeito para a voz. 

Sobre processo de composição

Um dos pontos altos do workshow foi o momento em que Russell Allen falou de como funciona o processo de composição de suas músicas. Ele citou a mudança de sua voz desde o primeiro registro com o SymX até o mais recente e explicou um pouco sobre a técnica vocal usada atualmente (os screams e drives) e também fez questão de enfatizar que explora mais a sua voz no Adrenaline Mob - demonstrando na prática ao cantar Judgment Day do novo álbum.
Allen também falou que não pensa muito sobre como vai cantar nem sobre técnica, ele simplesmente sente e faz. Ele ainda explicou que as mudanças nas músicas do SymX foram graduais, enfatizando que a sua entrada na banda foi o que possibilitou a Michael (Romeo) explorar o som mais agressivo, "o Symphony X não existe sem Russell Allen" - afirmou o vocalista.



Concluindo, além de reafirmar a sua qualidade como vocalista, Russell Allen deu um show de carisma, mostrando-se uma pessoa simples e divertida - arrancando risos da platéia por diversas vezes (em especial ao imitar Don Corleone e imitar a si mesmo cantando no Symphony X quando estiver idoso). Sempre direto nas respostas e sem perder o bom humor, tirou diversas dúvidas e deu um gostinho do que seria vê-lo em um show com uma de suas bandas. Definitivamente foi um evento memorável para qualquer fã do seu trabalho!

Setlist:

Symphony X:
Of Sins And Shadows 
Evolution (the grand design)
Inferno (unleash the fire)
Paradise Lost
When All Is Lost

Adrenaline Mob:
Judgment Day
Crystal Clear
Fallin' To Pieces


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

At The Gates: Novo disco anunciado!

Após rumores e um vídeo misterioso publicado no canal oficial da banda no Youtube e confirmado por sites especializados, hoje os suecos do At The Gates confirmaram que estão trabalhando em um novo disco à ser lançado no final deste ano!
O comunicado, feito na página da gravadora Century Media Records, informa que os pioneiros do Melodic Death Metal de Gotemburgo, reuniram-se em estúdio para gravar o primeiro disco de inéditas desde “Slaughter Of The Soul”, de 1995. O novo álbum ainda não tem título, capa ou data de lançamento definida ainda. Agora é só aguardar!



sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

At The Gates: Novo álbum em 2014?

No dia 21 do mês corrente, o mundo do fãs de Death Metal melódico foi atingido com um rumor que, se confirmado, poderá vir a ser uma das melhores notícias dos últimos anos! Esta notícia envolve um dos maiores nomes (senão o principal deles) quando se fala em Melodic Death Metal: os suecos do At The Gates.



Apesar de ter se reunido apenas para a realização de uma série de shows (um deles no Brasil), esta semana os fãs foram surpreendidos com um vídeo misterioso que sugere algo planejado para o ano de 2014. A despeito do fato de que Anders Björler, um dos fundadores do grupo, ter sido enfático em entrevistas ao declarar "não quero fazer", quando questionado sobre um novo disco no futuro, o teaser postado na página oficial da banda sugere o contrário. Em paralelo, o vocalista Tomas Lindberg deixou um fio de esperança ao declarar: "Bem, basicamente eu aprendi a nunca dizer nunca. Dissemos que nunca faríamos mais nenhum show, e agora estamos fazendo-os (...)".

Com pouco mais de 10 segundos, o vídeo não dá qualquer certeza ou informações mais concretas, de modo que as informações sobre um novo disco da banda não passam de especulações. O que resta é esperar e torcer pra que o At The Gates siga o exemplo do Carcass que laçou no ano passado o excelente "Surgical Steel" em 2013! Vale ressaltar que, caso seja realmente lançado, este possível novo álbum seria o 5º registro de estúdio da banda, sendo que o ultimo trabalho foi "Slaugther of the Soul" lançado em 1995, que figura entre os clássicos do Death Metal melódico e um dos grandes responsáveis pela consolidação do gênero e da cena em Gotemburgo, Suécia. 
A seguir, o teaser divulgado pela banda. Vejam e tirem suas próprias conclusões!


domingo, 29 de dezembro de 2013

Resenha crítica do filme “Caixa Dois”

Apesar de não ter o costume de postar aqui coisas que não sejam relacionadas diretamente ao Rock/Metal, como estamos chegando no final do ano e eu estou livre das aulas por enquanto, resolvi publicar algumas das resenhas sobre filmes que tive que fazer neste semestre.
Pra começar, vou deixar aqui a primeira resenha que fiz para a matéria de Ética e Legislação: Trabalhista e Empresarial, da comédia nacional Caixa Dois. Além de um trabalho acadêmico, esta resenha é, também, minha opinião acerca do filme. Obviamente, a minha opinião não é absoluta, você pode discordar ou concordar comigo; mas antes sugiro que veja o filme (sugiro, mas não recomendo - pode ser uma experiencia dolorosa). 


Baseado na peça homônima escrita por Juca de Oliveira e dirigida por Fauzi Arap, que foi vista por um público superior a um milhão e espectadores, o filme “Caixa Dois” tenta nos mostrar um pouco da realidade brasileira através de uma fórmula já batida no cinema nacional: comédia pastelão. O que não chega a ser um demérito tão grande, tendo em vista que o enredo trata de um tema bastante delicado como é o caso da corrupção.

A trama mostra o que acontece quando o poderoso banqueiro Luiz Fernando escolhe sua secretária Ângela como “laranja” para receber um cheque de 50 milhões de reais ilícitos. Por um engano cometido pelo executivo conhecido como “Romero” (ou Romeiro), o dinheiro vai parar na conta da honesta professora Angelina, mãe de Henrique, que, por sua vez, é namorado de Ângela. Angelina cogita devolver o dinheiro, no entanto, acontece de seu marido, o gerente Roberto, ser demitido do banco de Luiz Fernando.
Com um início confuso e mal desenvolvido, após meia hora a trama se arrasta de maneira lenta e demora a engatar o fator cômico a que se propõe; algo bastante negativo para um filme tão curto (cerca de 1h15m).

Apesar disso, é válido ressaltar o lado “sério” do longa que brinca com estereótipos e faz uma pequena crítica social, questionando os valores éticos e morais do cidadão brasileiro, independente da sua condição socioeconômica. Entretanto, o texto escorrega feio ao apresentar o conceito genérico de que qualquer pessoa (mesmo a mais honesta) pode sucumbir à corrupção e desonestidade se a recompensa for alta o bastante. Percebe-se uma apelação clara em comprovar tal teoria quando é colocada em xeque a idoneidade de um personagem que se apresenta como um dos pilares da moral no início da estória e que deveria, em tese, servir de exemplo.
Outro ponto crucial do longa é a forma como é construído o embate entre o bem e o mal, o certo e o errado; temos de um lado a família de classe média que, com muito esforço, paga as hipotecas da casa própria, e do outro o banqueiro corrupto, ganancioso e dissimulado que preocupa-se apenas com o seu próprio bem estar. Como mediador disso, um meio termo para contrabalancear e estabelecer a ligação entra os dois mundos, temos o recém demitido Roberto; o funcionário dedicado e esforçado que veste a camisa da sua empresa com maior orgulho. 

No final temos um desfecho já esperado, onde a família e seus valores são enaltecidos (e “justamente” recompensados) e o banqueiro ricaço e seus companheiros são, de certa forma, condenados; sem esquecer também de valorizar o velho e já mundialmente conhecido “jeitinho brasileiro”, com a alusão implícita ao antigo dito popular de que “ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”.

sábado, 28 de dezembro de 2013

1ª Conclave de Honra


Cajazeiras é amplamente conhecida como um dos maiores bairros da capital baiana. No entanto, a partir do dia 22 de Dezembro do ano que se encerra, ela ficará conhecida e marcada por sediar a primeira edição do "Conclave de Honra"!

Idealizado como um grande encontro entre amigos que tem uma paixão em comum (Rock/Metal), o evento que reuniu as bandas Honra, Agressivos, Metropolis, Mother Fucker e Nuclear War pode ser considerado o maior já realizado neste seguimento em nossa querida Cajazeiras desde o extinto CMF (cajazeiras metal fest). Tendo como principal objetivo movimentar a cenário da música pesada cajazeirense, o Conclave de Honra foi uma iniciativa tomada por integrantes da banda Honra formada por músicos de diversas bandas já conhecidas no meio underground da região como, por exemplo, Fullminant, Natiomorto e Necroceremony. 
Apesar da mudança inesperada e de ultima hora, o evento começou com um atraso razoável e aceitável, dada as circunstâncias; O que não de forma alguma comprometeu o andamento do evento. 

Metropolis
A primeira banda a se apresentar foi a novata Nuclear War, mandando um Thrash de responsa e muito bem entrosado. Apesar de tocarem sem a presença de um baixista, os garotos se saíram muito bem, mantendo um som coeso, agressivo e dinâmico. Apesar de não ter acompanhado a apresentação completa, posso afirmar que ainda ouviremos falar bastante dessa galera. Logo em seguida foi a vez da Metropolis mandar seu Metal Progressivo com influências de Metal Extremo. Mantendo a qualidade de sempre, a banda executou, além das músicas próprias, alguns covers de nomes consagrados no Heavy Metal mundial como, por exemplo, Metallica, Symphony X, Iron Maiden e Dream Theater. Sem deixar a "peteca cair", a veterana Agressivos deu sequência ao evento com seu Hardcore extremamente pesado e técnico. Aproveitaram a deixa para apresentar o seu mais novo integrante que vai reforçar o som da banda nas guitarras. Após um pequeno intervalo é a vez da irreverente Mother Fucker, que surpreendeu muita gente que ainda não conhecia o som dos caras. Com uma sonoridade singular, a MF, como é conhecida, executou seu Rock/Metal com fortes influencias de Stoner. Infelizmente, a banda também teve de se apresentar seu o baixista por motivo de força maior. E por ultimo, fechando a noite com chave de ouro, a idealizadora do conclave faz as vezes com uma apresentação matadora e empolgante. A Honra, com o seu "MelodicThrashDeath" colocou o local do evento abaixo e manteve o público na mão com uma performática apresentação. 

Agressivos
Além das ótimas apresentações, uma coisa importante preciso ressaltar é a qualidade de som e a atenção dos operadores que lá estavam. Apesar de a acústica da casa não ajudar muito, tenho certeza que todas as bandas ficaram satisfeita com a aparelhagem disponível. Quanto a acústica, devido a casa de show ser razoavelmente espaçosa, o som, em alguns momentos, ecoava bastante. Provavelmente a ausência de um palco possa ter influenciado (em parte) nisso. 
Honra

Outro ponto importante que precisa ser citado é o fato de o local do evento ter sido alterado já no dia do show. Mesmo com tudo para não acontecer, o esforço notável da organização possibilitou que ocorresse tudo perfeitamente, mesmo com todos os indicativos de que seria ao contrário. 
No final, o evento se mostrou bastante positivo, com uma presença expressiva do público que não se deixou intimidar pelo dia chuvoso e pela mudança repentina de local. Com certeza um evento que será lembrado por todos os presentes por um bom tempo!

Para conferir mais fotos do evento, basta clicar AQUI.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

James LaBrie - Impermanent Resonance (2013)



É impossível se falar em James LaBrie sem associá-lo a sua banda principal que o consagrou como um dos maiores vocalistas do Metal Progressivo na opinião de alguns, e um dos piores na opinião de outros. E, verdade seja dita, quando se fala em Dream Theater e seus integrantes, o debate é extenso, acalorado e as opiniões divergem a níveis extremos.

Mesmo sendo odiado por muitos, LaBrie conseguiu e consegue se sobressair o suficiente para manter a sua carreira sólida e cada vez mais ativa. E desta vez, com o lançamento do seu terceiro disco solo intitulado “Impermanent Resonance”, ele também consegue mostrar que pode andar muito bem (absurdamente bem) com as próprias pernas, por assim dizer. 

Lançado no dia 29 de Julho na Europa e 06 de Agosto na América do Norte, “Impermanent Resonance” é, também, o segundo disco de LaBrie em parceria com o tecladista Matt Guillory, de modo que a fórmula continua basicamente a mesma adotada em “Static Impulse” de 2010, que mesclava pegadas agressivas de Metal moderno com melodias que grudavam facilmente na cabeça por um bom tempo. No entanto, aqui nós temos uma evolução natural, onde o que era bom ficou ainda melhor! 


Apesar de seguir a mesma proposta de seu predecessor, “Impermanent Resonance” ainda consegue surpreender e apresentar uma sonoridade mais madura e firme, mais coesa. Há mais espaço para experimentar e ousar; há mais sintetizadores e influências eletrônicas (o que não é algo ruim) e a agressividade está bem mais presente, sem deixar de lado as belíssimas melodias e refrãos grudentos. Neste álbum o que vemos é cada um dando o melhor de si e isso é possível perceber em cada faixa do registro. As linhas de guitarra de Peter Wichers (SOILWORK) e do italiano Marco Sfogli transbordam bom gosto, com Riffs rápidos e agressivos quando necessário, ou em linhas mais melódicas e calmas, sempre muito bem acompanhadas da execução precisa de Peter Wildoer que traz consigo toda a carga do Melodic Death Metal Sueco, tanto na Bateria quanto nos vocais guturais.

Falando em vocais, não se pode deixar de lado a menina dos olhos deste disco: As linhas de voz! Aqui, LaBrie nos entrega uma de suas melhores performances da sua carreira. Os arranjos de voz estão extremamente bem feitos, sem exageros e sem os habituais agudos estridentes que fazem com que muitos o odeiem no Dream Theater. Isso sem falar dos backing vocals feitos por Matt Guillory que dão um brilho especial às músicas. 

Ao todo são 12 canções muito bem compostas e produzidas, de forma que se torna uma tarefa quase impossível destacar alguma entre elas como sendo a melhor do disco. Mesmo assim, vale ressaltar a pesada “Agony”, que abre o álbum em grande estilo, a cadenciada “Slight Of Hand” com seu refrão marcante e grudento, as climáticas “Holding On” e “Lost In The Fire”, a agressiva “I Will Not Break” que quase se assemelha a um Thrash moderno e a belíssima balada “Say You’re Be Mine”.

Apesar de o mercado já estar saturado com o mais do mesmo, Impermanent Resonance consegue dar um novo fôlego ao gênero e mostrar que tudo que o Heavy Metal em geral precisa é de pessoas talentosas que não tenham medo de ousar e tenham paixão pelo que fazem.
Com este que já pode facilmente ser configurado entre os melhores lançamentos do ano, James LaBrie também pode se gabar de ter lançado um dos melhores trabalhos de sua carreira! 




segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Angra em Salvador! - 20 Years Anniversary Tour

Abertura: Age Of Artemis e Terra Prima
Local: Bali Beach Club



Após cerca de três anos sem pisar na capital baiana, o Angra, um dos principais nomes do Heavy Metal Melódico brasileiro, volta para realizar mais uma apresentação e, assim como em 2010, trazendo novidades. Digo isso porque naquele ano tivemos a volta do baterista da formação clássica, Ricardo Confessori, às baquetas e um novo álbum de estúdio; O (apenas) bom "Aqua".
Como todos os fãs devem saber (ou deveriam), Edu Falaschi, que assumiu os vocais após a saída do Andre Matos, anunciou que deixaria a banda no ano passado. O que, mais uma vez, fez com que a mesma pausasse as atividades. E então é aí que entra a novidade deste ano: A participação do italiano Fabio Lione. Mais conhecido pelo seu trabalho a frente das bandas Rhapsody Of Fire e Visio Divine.

Lione foi inicialmente convidado apenas para os shows que seriam realizados no cruzeiro "7000 Tons of Metal" e no Live ’n’ Louder. No entanto, a parceria foi tão bem aceita pelo público que, algum tempo depois, foi anunciado que haveria uma tournée em comemoração aos 20 anos de lançamento do aclamado "Angels Cry". E, pra alegria dos fãs, esta série de shows aportou aqui na cidade do axé!


Apesar de ter sido marcado para começar às 18 horas, quando cheguei ao local do evento (por volta das 17), já se podia ver uma crescente nuvem negra que aumentava cada vez mais. Ótimo para as bandas de abertura; imaginei. Entretanto, após adentrar o espaço, percebi que não seria exatamente assim. Como assim? Bom, deixe-me explicar: assim que vi o tamanho do palco e o set de bateria do Ricardo já montado, percebi que a banda principal seria a primeira (!), devido o fato de o palco oferecido pelo Bali Beach Club não ser tão extenso e não ter capacidade para comportar dois sets de bateria. 

Por volta das 18h30min a banda sobe ao palco para realizar a sua passagem de som e dar os ajustes finais, tocando "Winds of Destination". Todo este processo levou cerca de meia hora, causando inquietação do lado de fora do Bali; inclusive, eu cheguei a ouvir o Kiko (Loureiro) brincar dando pressa ao pessoal pra abrir logo os portões antes que a galera "quebrasse tudo lá fora". 
Enfim, as 19h00min horas os portões se abrem e os fãs impacientes já começam a se aglutinar à frente do palco, como se já soubessem que a atração principal abriria o evento. Conforme o tempo passava, podia-se ver a ansiedade na cara de muitos; alguns já muito impacientes com a demora. 
Passaram-se uma hora e meia desde a abertura dos portões e duas horas e meia desde o horário previsto para início do evento, quando começamos a ouvir uma introdução, aparentemente, composto para esta série de shows comemorativos. As cortinas se abrem e o grupo surge no palco executando de cara "Angels Cry" do disco que leva o mesmo nome, cantada em uníssono pelos fãs presentes, chegando até mesmo a sobrepujar a o som da banda! A seguir, sem tempo para descanso, diretamente do "Holy Land" vem a conhecidíssima "Nothing To Say", seguida de "Waiting Silence", do excelente "Temple Of Shadows" e só então temos uma pausa. Neste momento, o Fabio Lione – visivelmente empolgado – tenta uma comunicação em português com o público que, apesar do sotaque carregado do italiano, conseguiu entende-lo perfeitamente.
Logo a seguir, temos mais uma do "Angels Cry"; a intensa "Time", mais uma que o público canta a plenos pulmões. Momento tão marcante que chegou a arrancar um "do caralho" do Fabio ao final da música! Sem perder tempo, a banda começa os primeiros acordes de "Lisbon", balada consagrada do disco "Fireworks". Nesta faixa, ficou uma sensação de estranheza devido à falta do solo de teclado. No entanto, nada que prejudicasse a apresentação. Aliás, a falta de teclado foi algo que me chamou bastante a atenção durante todo o show: Em algumas músicas fez-se uso de sintetizadores pré-gravados e em outras o próprio Kiko Loureiro tocou, como foi o caso de "Millennium Sun" e "Winds Of Destination" que vieram em seguida.

"Gentle Chage", mais uma balada do "Fireworks" veio acalmar um pouco o público eufórico após a execução de "Winds Of Destination", e após ela, o Fabio aproveita o clima de calmaria para "apresentar" um excelente guitarrista e também vocalista, referindo-se ao Rafael Bittencourt. Assumindo o microfone, Rafael aproveita para falar um pouco da importância que tem cada registro na carreira da banda ao longo desses 20 anos, e finaliza apresentando "The Voice Commanding You", canção que faz parte do álbum que não foi muito bem recebido pelos fãs na época: O "Aurora Consurgens".
Logo depois vem a já conhecida "Late Redemption", onde o Kiko Loureiro canta as partes em português, originalmente interpretadas por Milton Nascimento. Na verdade, pode-se dizer que o Kiko tentou cantar, pois, nesta música, o coro que se formou foi ainda maior que o formado durante a execução de "Angels Cry"! Impossível não notar a empolgação de todos diante da resposta dos expectadores. 

Faz-se uma pequena pausa, então, e os outros integrantes da banda saem do palco. Nesse momento o público aproveita para recarregar as baterias. Alguns instantes depois sobem ao palco Kiko e Rafael para continuar o show com um formato mais intimista, já conhecido dos fãs; é o set acústico. A diferença aqui é o fato de que, em anos anteriores, a sessão acústica tinha a participação de toda a banda. Dessa vez, porém, foram apenas o Rafael e o Kiko tocando e cantando as músicas. Este set acústico começa com o Rafael falando um pouco mais da história da banda e de como ele e o Kiko se conheceram, para, só então, anunciar aquela que ele considera a primeira música do Angra de fato: "Reaching Horizons". Na sequência veio ainda "Carolina IV", "Caça e Caçador", "A Monster In Her Eyes" – única representando o recente "Aqua" – e "Make Believe", sempre com vocais intercalados entre Kiko e Rafael.
Terminada a sessão acústica, todos voltam ao palco para executar "No Pain For The Dead" seguida de "Wings of Reality". Depois de uma pequena interação com a plateia, a banda excuta "Evil Warning" e faz uma pequena pausa preparando a música mais aguardada da noite.

Com o inicio de "Unfinished Allegro", não resta dúvidas de que é hora de um dos maiores clássicos do Metal Melódico nacional dar o ar da graça. "Carry On", como sempre, incita a famosa "roda" no centro da pista em frente ao palco e faz anima a toda a plateia do início ao fim. E próximo ao final da música, um grito ainda maior de euforia invadiu o Bali Beach Club quando Alírio Netto, vocalista do Khallice, Age of Artemis e Lince, subiu ao palco pra dividir os vocais com o Fabio – um dos pontos mais altos do show! Após toda a empolgação de "Carry On", vem a calmaria antes da tempestade com "Ribirth" do álbum homônimo, seguida de "In Excelsis" que serve de abertura para "Nova Era", outro grande clássico da banda que encerra a apresentação do Angra em Salvador.
Após 22 músicas em duas horas e meia de show, o Angra provou que ainda tem muito pra mostrar e que, apesar das dificuldades que vem enfrentando, não pretendem parar tão cedo. Todos estavam bastante à vontade e esbanjando energia e carisma – até mesmo o Kiko que tem fama de ser mais reservado mostrou-se bastante "amigável". Um show pra ficar na memória por muito tempo, com toda certeza!


Como eu já imaginava, assim que a banda saiu do palco e as cortinas se fecharam ao som de "Gate XIII", cerca de metade dos presentes dispersou e foi embora. O grande problema de se colocar a atração principal no inicio do evento, é o fato de que boa parte da audiência dispersa após a apresentação. Com o Angra não foi diferente, infelizmente. Quem saiu perdeu a curta, porém excelente, apresentação do Age Of Artemis (a qual eu estava ansioso para ver)!
Os brasilienses liderado por Alírio Netto, mais conhecido pelo seu trabalho na banda de Prog Metal Khallice, tocaram apenas cinco músicas, mas que animaram bastante todos os que ficaram para ver. 
Apesar de curto, o set da Age Of Artemis agradou bastante e as músicas foram muito bem escolhidas. Após a intro "What Lies Behind", "Echoes Within" chamou a galera pra acompanhar de perto o desempenho do grupo. E, provavelmente, para a surpresa da banda, muitos dos que estavam na frente já conheciam suas músicas e cantavam a plenos pulmões! 


Ainda é preciso ressaltar a qualidade técnica da banda e o carisma e a presença do vocalista, Alírio Netto; mesmo com poucas pessoas presentes, os caras mandaram destilaram virtuosismo e técnica em canções como "You’ll See", "Truth In Your Eyes", "Take Me Home" e "Mystery".

Logo a seguir, por volta das 00h20min, os cearenses da "Terra Prima" sobem ao palco. O show mais voltado para a divulgação do seu mais recente trabalho, o álbum "And Life Begins". Outra banda excelente que merece uma atenção maior por parte dos fãs!

Um dia inesquecível para os fãs de Heavy/ Power Metal Melódico que vai ficar marcado na memória de muitos, com toda a certeza!
Como ponto negativo, ressalvo apenas a falta de estrutura da casa em atender um evento deste porte. Acredito que muitos desistiram de prestigiar o show por conta do local onde seria realizado – atitude lamentável, porém, existente. Outro ponto negativo foi a localização da mesa de som e aparelhagem, que estava muito próximo do palco e, entre pilastras e cabos, diminuía o espaço para que os fãs "bangueassem" . 
Entretanto, podemos dizer que o saldo total do show foi positivo! Parabéns a organização pela iniciativa e as bandas pelo excelente trabalho! 
E que venham os próximos!

Setlist Angra
1. Intro/ Angels Cry
2. Nothing To Say
3. Waiting Silence
4. Time
5. Lisbon
6. Millennium Sun
7. Winds Of Destination
8. Gentle Change
9. The Voice Commanding You
10. Late Redemption
11. Silence And Distance
12. Reaching Horizons
13. Carolina Iv
14. Caça E Caçador
15. Monster In Her Eyes
16. Make Believe
17. No Pain For The Dead
18. Wings Of Reality
19. Evil Warning
20. Unfinished Allegro/ Carry On
21. Rebirth 
22. In Excelsis/ Nova Era
23. Gate XIII