terça-feira, 4 de janeiro de 2011

TME entrevista Alexei Leão (Stormental)

A banda Stormental surgiu na cidade de Florianópolis/SC há cerca de cinco anos. Mesclando o peso do Heavy Metal, a velocidade do Power e muitas partes intrincadas do Prog, a banda vem sendo rotulada como "Raw Prog-Metal" e já conta com duas turnês pela Europa, tocando em diversos países como: Alemanha, Bélgica, Holanda, Espanha, Polônia, República Tcheca e Eslováquia. Após passar o ano de 2010 sem atividades marcantes, a Stormental agora prepara o lançamento de seu novo disco intitulado “Perception Of The Other”. É sobre esse e outros assuntos que eu converso hoje com Alexei Leão, o vocalista da banda.

TME: Pra começar, eu gostaria de saber mais sobre a história da banda. Como surgiu a idéia de montá-la e qual a origem do nome Stormental?

Alexei Leão: O Stormental foi um projeto iniciado em 2005, por mim no vocal, meu irmão Andrei Leão no baixo e pelo Marcos Feminella na bateria, e concretizado em janeiro de 2006 com a entrada do guitarrista Rafael Scopel (substituído em 2008 pelo Hique d’Ávila). Todos tínhamos projetos anteriores com bandas de metal que nos deram experiência para iniciarmos algo novo. Queríamos um nome que tivesse ligação com o som que fazemos então surgiu Mental Storm, tempestade mental, mas para torná-lo original decidimos escrever junto e invertendo a ordem.


TME: Sabemos que a maioria das bandas que segue a linha do metal progressivo, na maioria dos casos, se inspira nas bandas mais conhecidas no gênero como Dream Theater, Symphony x, Pain of Salvation, entre outras. E por mais que se tenha personalidade, uma hora essas influências aparecem. Entretanto, o Stormental consegue fazer um prog mais diferenciado. Queria saber quais as bandas mais influenciam o Stormental? As bandas que admiram e o que serve de referencia pra vocês?

Alexei: Eu sou muito fã de DIO, Tony Martin e Bruce Dickinson, o baixista Andrei gosta do Joey de Maio e Les Claypool, o Marcos gosta de bateras mais clássicos como o Ian Pace e o Hique gosta de guitarristas tipo Paul Gilbert, Marty Friedman e Richie Kotzen. O som que fazemos surge de forma natural. Eu adoro escrever quebradeiras de tempo e várias loucuras, mas não ouço quase nada de prog em casa. Acho que influências sempre existem para qualquer músico, só que nem sempre aparecem explicitamente na música que ele cria.

TME: O Stormental é uma banda relativamente nova e, mesmo assim, já conta com duas turnês européias, passando por países como Alemanha, Bélgica, Holanda, Espanha, Polônia, República Tcheca e Eslováquia. Diga-nos como foi essa experiência, como foi conseguir atingir, em pouco tempo, um mercado tão cobiçado quanto o europeu?

Tour pela Europa em 2006
 Alexei: Cara... foi muito bom! Hoje em dia está cada vez mais difícil tocar no Brasil, tanto pelas distâncias, pela falta de apoio e muitas vezes falta de público e tudo mais. Acho que para nós é mais fácil, e bem mais lucrativo, marcar shows pela Europa. Lá a situação é outra, o pessoal tem mais grana, o público do metal é maior, as casas tem estruturas melhores e vários bares recebem apoio dos governos para se manterem, logo podem pagar melhor as bandas. Estar na estrada tocando é a melhor coisa do mundo e ter o trabalho começando a ser reconhecido no exterior é ótimo.

 TME: O Stormental vem se destacando principalmente por sua sonoridade. O peso do Heavy, velocidade do Power e muitas partes intricadas do Prog. Gostaria de saber como funciona o processo de composição de vocês. Quanto tempo em média leva pra compor e quando vocês consideram a música realmente pronta?

Alexei: A maioria das músicas são escritas por mim e os arranjos são criados por todos. Quanto ao processo em si, não existe uma regra, tudo depende do momento e da inspiração. Muitas vezes nossas músicas começam por uma letra, em seguida uma melodia de voz com harmonia, outras vezes surge um riff de guitarra e depois o restante vai se desenvolvendo... é bem variado no final das contas. Eu tenho ‘surtos criativos’ que aparecem de vez em quando, e nesses momentos eu consigo escrever várias músicas do começo ao fim em um único mês, mas às vezes fico meses sem inspiração e sem escrever nada. No Stormental consideramos uma música pronta apenas depois que ela teve sua versão final gravada, antes disso tudo pode mudar. (rsrsrs)

TME: A banda também vem sendo comentada por suas atitudes inovadoras e ousadas como, por exemplo, disponibilizar o primeiro álbum pra download e também os singles. Qual foi o principal motivo de vocês disponibilizarem o álbum totalmente grátis?

Alexei: Nós fazemos isso desde o início da banda, em 2006, quando muitos nem cogitavam essa hipótese ainda. Desde aquela época nós percebemos que pouca gente ainda comprava CD, que virou quase um item para colecionadores. Ele ainda é importante para dar credibilidade e tudo mais, mas é impossível lutar contra o mp3, então a melhor forma é usar o download a seu favor. Quanto mais gente baixar as músicas e conhecer a banda, mais shows faremos, pois tocar ao vivo é o principal motivo da banda existir.

TME: A propósito, deixar o álbum disponível gratuitamente não interfere na venda do material físico?

Alexei: Acho que não, pois quem gosta de ter o material físico ainda compra o CD, quem quer ter apenas o mp3 vai conseguir de alguma forma. Então achamos melhor que as pessoas baixem nosso material direto do nosso site oficial, onde a podemos garantir a qualidade dos arquivos.

TME: Vocês pretendem disponibilizar os próximos álbuns também?

Alexei: Sim, sem dúvida!

 TME: Falando em inovação, ano passado vocês realizaram o espetáculo “Perception Of The Other”, escrito em parceria com a Siedler Cia de Dança. Gostaria de saber de onde surgiu essa idéia de unir dança contemporânea e Heavy Metal?

Alexei: Eu escrevo trilhas sonoras para espetáculos de dança já faz algum tempo. E tenho uma parceria com a Siedler Cia de Dança desde sua criação em 2003. Escrevi as trilhas de todos os espetáculos dessa companhia, e sempre utilizei guitarras distorcidas e elementos do metal nas composições. A coisa toda foi uma evolução natural, escrevi a música In Front of You para ser usada num espetáculo deles e a partir daí vimos que as linguagens da dança contemporânea e o heavy metal casavam muito bem. O resultado foi o Perception of The Other.

TME: E como o público em geral reagiu essa mistura inusitada?

Alexei: Eu achava que boa parte do pessoal ficaria meio chocado, sem entender nada, tanto o público do heavy metal quanto o de dança, mas a resposta geral foi excelente. Estamos escrevendo alguns projetos para leis de incentivo a cultura, para circularmos com esse espetáculo, e daí poderemos avaliar melhor a reação de outros platéias. (rsrsrs)
 
TME: “Perception Of The Other” é também o nome do novo álbum de vocês que vai ser lançado junto com um DVD. Por acaso esse DVD vai conter alguma coisa desse espetáculo que vocês realizaram?

Alexei: Sim, com certeza. Junto com CD da trilha sonora vai sair um DVD com uma super produção da apresentação de estréia.

TME: No primeiro DVD vocês tocam uma música nova que fará parte do novo disco. Uma música que se mostra um pouco diferente do que vocês vêm fazendo. Ainda mais por ser a maior música da banda até o momento. Baseado nisso, o que podemos esperar desse novo álbum? As novas composições irão seguir essa linha ou a fórmula continua a mesma?

Alexei: Na verdade não trabalhamos com fórmulas, a gente escreve as músicas sem pensar no formato e tamanho que elas vão ter. Essa música nova, A Miserable Life, foi escrita para o Perception of The Other, que estávamos começando a trabalhar na época em que gravamos o DVD Mental Live Storm. Ela é realmente um pouco diferente de tudo que fazemos por ser mais prog e mais longa, mas ela saiu assim naturalmente. O que queríamos passar com ela, com a letra, naquele momento era aquilo mesmo. Mas, honestamente, ela não representa bem o que vai ser o CD do Perception of The Other, pois a maioria das músicas novas estão mais curtas, mais diretas e ao mesmo tempo bem quebradas.

 TME: Já há uma data especifica para o lançamento do novo material?

Alexei: Queremos lançar logo, mas acho que vamos esperar o começo do ano que vem para lançar.

TME: Pra finalizar, quais os planos da banda  para 2011?

Alexei: No ano de 2010 ficamos praticamente parados, demos um tempinho para voltarmos com fôlego e força total em 2011. Tudo o que fazemos é intenso então precisávamos dessa pausa. Em 2011 queremos fazer mais uma turnê na Europa e estamos agilizando para fazer a primeira pelo Brasil, divulgando o Perception Of The Other.

TME: Muito obrigado pela entrevista. O espaço é todo seu, fique a vontade.

Alexei: Muito obrigado ao Blog The Mind’s Eye e a todo mundo que leu até aqui. Esperamos poder tocar pelo Nordeste em breve. Muito metal na veia de todo mundo!!

A Stormental é:

Alexei Leão - Vocal
Andrei Leão - Baixo
Hique D'ávila - Guitarra
Marcos Feminella - Bateria


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Dark Tranquillity: We Are The Void

Com tantos lançamentos interessantes neste ano, um que certamente não poderia passar despercebido, é o novo álbum dos suecos do Dart Tranquillity intitulado “We Are The Void”, lançado no mês de fevereiro. 

“Shadow in Our Blood” abre o disco sintetizando o que vem pela frente. Percebemos logo de cara que a banda resolveu arriscar um pouco mais e investir em mais músicas cadenciadas, algo que já vinha sendo notado nos últimos lançamentos.
 Apesar dessa sonoridade mais cadenciada, ainda temos várias amostras do Dark Tranquillity de outrora com aquelas linhas melódicas e saltos de cordas guiadas por uma linha de bateria mais "bate-estaca" como, por exemplo, nas faixas “The Fatalist” e “I Am The Void”. Um dos pontos altos são as poucas vezes em que o Mikel faz uso de vocais limpos como em “The Grandest Accusation”, “Her Silent Language” e “Iridium” que fecha o álbum com chave de ouro ao longo de mais de seis minutos. Com certeza um disco que mostra o porquê de o Dark Tranquillity ser uma das bandas mais influentes do melodic death Sueco. Um álbum obrigatório para qualquer fã dessa magnífica banda!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Arsis: Starve For The Devil

2010 vem sendo um ano recheado de grandes lançamentos. Várias bandas têm lançado ao longo deste ano grandes álbuns que com certeza devem ter agradado ao gosto dos fãs. Durante este mês eu irei citar alguns álbuns que me chamaram atenção. Começando em ordem cronológica do mês de lançamento.

Pra começar, o primeiro grande lançamento, ao menos o que chamou a minha atenção, foi o quarto disco de estúdio do Arsis, Starve For The Devil, lançado em fevereiro.

“Forced To Rock” abre o disco com um solo de guitarras típico da banda. Uma música realmente diferente de tudo que a banda fez. Com uma pegada de Power metal intensa misturada com melodic death, essa música é realmente surpreende pela sua proposta intencionalmente diferente do estilo da banda. Um clima que se mantém até a terceira música, onde começamos a perceber a sonoridade voltando ao bom e velho “techdead” que todos os fãs amam! Porém, ao que parece, a banda quis tentar algo diferente. Em vários momentos a banda investe em músicas de estruturas relativamente simples, muitas vezes lembrando o melodic death, o que é muito bom por sinal.
Em outros momentos a banda flerta com o thrash metal ’80, como por exemplo, nas faixas “The Tem Of Swords”, “Closer To Cold”, Sick “Perfection”, entre outras. Em “Half Past Corpse O'Clock” notamos o techdeath mais presente, mas ainda com toques que melodic e thrash, um clima que perdura até a ultima faixa do disco, a excelente “Sable Rising”. No geral, o disco é ótimo, acima da média. A produção é impecável e a banda se mostrou bastante inspirada em todas as faixas. Recomendado tanto para os fãs mais antigos da banda quanto pra quem quer ouvir algo novo.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Entrevista com a banda Spreading Hate

Formada há cerca de três anos, os paulistanos da Spreading Hate vieram para mostrar que Melodic Death de qualidade não é apenas coisa de europeu! Com nítidas influências de bandas do gênero como Children Of Bodom, In Flames antigo,Kalmah, entre outras, eles conseguem mostrar um som maduro, técnico e agressivo sem cair nos clichês do estilo. Apesar do pouco tempo de existência, a banda recentemente lançou o seu primeiro ep, o ótimo Nightfall, de maneira independente no inicio do ano. É sobre esses e outros assuntos que eu falo hoje com o baixista Eduardo Ayres e o vocalista/guitarrista Renan Brito. 


TME: Pra começar, gostaria que falasse um pouco da história da banda. Como surgiu e sob quais motivações a banda nasceu?

Edu: Bom, tudo começou como uma brincadeira entre bêbados (rsrsrs). Em 2004 eu e Jeff começamos a tocar algumas musicas que gostávamos nos finais de semana, só para aprender musicas novas na guitarra e fazer um som. Depois, com a entrada do Bruno Matos na batera, colocamos o nome da banda de Death Unlimited e passamos a tocar musicas do Norther. Escolhemos o Norther por ser uma banda ainda não muito conhecida no Brasil e não queríamos tocar musicas que outras bandas cover já tocavam por aqui. Foi com essa idéia de fazer algo diferente que a Spreading Hate nasceu e, em 2007 com a entrada do Renan nos vocais/guitarra, é que foram surgindo as primeiras composições. Depois de um show em Sorocaba decidimos largar o cover que já estava limitando nosso potencial, ficamos parados por um tempo pra gravar - algo que foi bem difícil, pois gravamos e aprendemos a gravar tudo em casa. O ep ficou pronto em 2009, mas nossa divulgação do Ep foi interrompida com a saída do Bruno da banda. No final de 2009, Lucas entrou e, além de iniciarmos a divulgação/shows do ep, ganhamos uma força ainda maior.

TME: Com tantas bandas hoje em dia que seguem essa linha do “melodeath”, o que vocês acham que diferencia o som da Spreading Hate da maioria?

Edu: A primeira delas que é que somos daqui! O Brasil infelizmente ainda não teve muita evolução neste sentido e, além da Spreading Hate, existem poucas bandas que tocam esse gênero no país... A maioria está em projeto ou está evoluindo bem lentamente. Posso destacar duas bandas que considero as melhores até o moment:  Zilla de Brasília que, junto com o Spreading hate, é a banda que iniciou o estilo no Brasil, e All forms Of Agony de Taubaté - os caras mandam muito bem! A segunda e principal diferença de bandas do exterior é que o Spreading Hate conseguiu criar um som bem único graças à vasta quantidade de influencia que cada um possui.
  
TME: Uma coisa que eu gosto muito de saber é como funciona o processo de composição das músicas. No caso de vocês, há alguém específico responsável pelas composições das melodias e/ou letras, até que ponto cada integrante participa na construção das musicas, etc...?

Edu: o Renan é o talento por traz das composições, todos ajudam, mas a idéia inicial sempre vem dele

Renan: Bom, o Nightfall e as novas foram compostas por mim, instrumental e letras. O que costumo fazer é pedir para o resto da banda detalhar, opinar, concordar ou discordar. O Nightfall foi meio que sem pré-produção, do jeito que eu tinha feito foram gravadas as cinco músicas. Ao mixar o EP nós aprendemos bastante sobre questões de composição, algumas coisas estavam teoricamente erradas, mas mesmo assim, as cinco foram mixadas do jeito que estavam. Agora estamos tomando muito mais cuidado ao pré-produzir as novas músicas, observando cada detalhe para ficar uma ótima mixagem.

TME: A propósito, qual a temática das letras de vocês? Há algum tipo de conceito ou direcionamento que vocês sigam?

Renan: Sentimentos humanos, horror, fantasia, esoterismo, misticismo. Não nos voltamos a apenas um tema, são músicas que vem da alma, podem refletir coisas boas e ruins. São letras do tipo que cada pessoa pode entender de forma diferente.

Edu: Procuramos não colocar Política ou religião no meio das letras essa é nossa principal atenção.

TME: Como um fã de Children Of Bodom que eu sou, é quase que inevitável não fazer algumas comparações. Em diversas músicas há claras influencias do COB do inicio de carreira só que melhorado e sem teclados, sem falar de toques de In Flames de antigamente, Kalmah e algumas coisas de Mors Principium Est no vocal. Essa similaridade com bandas nesse gênero foi algo planejado pra atingir determinado público ou foi algo qua aconteceu naturalmente? E essas comparações chegam a incomodar vocês de alguma forma?

Edu: de forma alguma nos incomoda, muito pelo contrário! Ser comparado com essas bandas é mais que um orgulho para o Spreading Hate, mas como qualquer banda, o inicio é sempre bem influenciado e conforme as coisas andam vai tomando uma cara única. Isso está acontecendo com nossas novas musicas que estão muito foda! Aguardem!

TME: A Spreading Hate, apesar de ser relativamente nova, vem sendo alvo de boas críticas, ainda mais depois do lançamento do ep Nightfall. A que vocês atribuem esse crescimento tão rápido em tão pouco tempo?


Edu: Estamos divulgando o Ep a mais ou menos um ano e conseguimos muito reconhecimento do público e da mídia, creio que isso ocorreu pela sede que muitos brasileiros têm de ouvir Melodic Death de qualidade por aqui.
  
TME: Como tem sido a reação do público ao Nightfall? Correspondendo as expectativas, superando-as...?

Edu: O publico é insano! A galera que nos acompanha tem nos apoiado muito em todos os shows. Recentemente publicamos uns vídeos de shows em São Paulo, quem viu sabe que o Spreading Hate não é pra qualquer um (rsrsrsrs)

TME: Apesar de vocês ainda estarem em plena divulgação do Nightfall, há alguma pretensão de um próximo lançamento? Um álbum full, por exemplo?

Renan: Sim! Isso está acontecendo agora! Estamos arrumando as coisas para o início das gravações do nosso álbum, pretendemos lançar alguns materiais muito melhores em 2011 e nossas musicas novas estão em um nível muito maior que do nosso ep. Tenho certeza que todos vão gostar!

TME: Sabemos que hoje em dia, a melhor forma de divulgação pra bandas independentes é a internet. Mesmo assim, vocês optaram por fazer o lançamento de matrial físico. Vocês acham que ainda é viável investir em lançamento de cd, ep, singles, etc?

Edu: Sem duvidas a internet tem sido o principal canal de divulgação das bandas independentes atualmente e tem nos aberto algumas portas importantes para nossa divulgação. Além de disponibilizar o Ep completo para Streaming no Myspace, fizemos 200 copias físicas do Ep com encarte, letras fotos e o cd prensado de ótima qualidade. Para aqueles que nos apóiam, ter um material físico em casa é gratificante. Não ganhamos nada com a venda dos Eps, pois o gasto com tudo foi maior, mas não ligamos para lucro, queremos mesmo é fazer um trabalho bem feito pra quem nos admira e apóia nosso som.

TME: Ainda falando sobre divulgação online, esta semana eu vi o ep da banda pra download num blog. Como vocês encaram essa questão do download sem autorização da banda e como fazem pra lidar com isso?


Edu:  Na realidade o Download do Ep foi disponibilizado pela própria banda para todos que quiserem conhecer nosso som. Sabemos que o mercado musical não é dos melhores - principalmente no Brasil - e creio que devemos saber lidar com tudo isso para conseguir algum retorno positivo. Nosso Ep foi criado com a intenção de divulgar nosso material e quanto mais se espalharem esses downloads, mais gratos ficaremos J

TME: Pra finalizar, gostaria de saber quais os planos da banda para o próximo ano e o que podemos esperar da Spreading Hate em 2011?

Edu: 2011 promete ser o ano mais promissor da banda, com o lançamento do nosso novo material e shows muito importantes dentro e fora de são paulo sendo agendados. Pretendemos divulgar nosso som e ter o contato com a galera do Brasil todo! Vamos mostrar que não estamos pra brincadeira, você que acompanha nossa banda acompanhe as novidades que em 2011 vamos destruir tudo por aí!

TME: Muito obrigado pela entrevista. O espaço é  todo de vocês.

Edu: Quero agradecer a oportunidade desta entrevista e todos que tem acompanhado a banda. Como sempre digo nos shows: quem faz o cenário nacional evoluir são vocês!

Renan: Muitíssimo obrigado pela entrevista, Julio! É um prazer e uma satisfação! O Spreading Hate é muito grato pelo suporte! Até a próxima! 

A Spreading Hate é:

Renan Brito (Vocal e Guitarra)
Jeff Hita (Guitarra)
Eduardo Ayres (Baixo)
Lucas Cassero (Bateria)


Pra quem quiser conhecer melhor o som dos caras, taí o link: 

sábado, 13 de novembro de 2010

Zombie Walk Salvador!


Bem... estou meio atrasado pra falar do assunto mas... antes tarde do que nunca! =P


No dia 30 de outubro aconteceu o 4° Zombie Walk Salvador! Pra quem ainda não conhece e não sabe do que se trata, eu irei elucidar um pouco as coisas.

Zombie Walk consiste em um movimento organizado por um grupo de pessoas que se vestem de zumbis e saem caminhando ou correndo por grandes centros urbanos. Geralmente organiza-se uma rota através das ruas da cidade, passando por lugares de grande movimento como shoppings, parques e outros locais com grande público. O evento é divulgado via internet ou através de flyers e/ou cartazes de maneira totalmente independente.

Mas, onde diabos começou tudo isso? - Você, leitor desavisado, deve estar se perguntando agora.

Bem... a primeira Zwalk (como eu gosto de chamar) de que se teve notícias ocorreu em outubro de 2003 na cidade de Toronto, no Canadá, com apenas 6 zumbis. Porém, a iniciativa obteve grande repercussão (como todos sabem). Em 27 de Agosto de 2005 ocorreu a primeira Zwalk em grande escala, na cidade de Vancouver, com mais de 400 zumbis caminhando por mais de 35 quadras no centro da cidade! 

A primeira Zwalk realizada no Brasil foi em Belém, em 29 de outubro de 2006. A partir daí os zumbis invadiram todo o território nacional!

Hoje em dia estão sendo organizadas outras Zwalks pelo mundo todo em diversas cidades, como São Francisco, Montreal, New York, Sydney, e poraí vai.

O sucesso do evento é tanto que em 2010, na capital portuguesa, Lisboa, contou com a presença de nada mais nada menos do que George A. Romero, o mais lendário e aclamado realizador de filmes de zumbis!!!


Dito isso, chegamos à 2010, no 4° ano de Zwalk aqui na terra do axé! Esse foi o primeiro ano que eu pude acompanhar e, apesar de não estar devidamente caracterizado, acompanhei todo o percurso com os Zombies! Foi realmente muito interessante e divertido, posso afirmar. Se não me falha a memória, foram cerca de 80 zombies caracterizado e mais dezenas de espectadores. Algumas maquiagens foram muito bem feitas e ficaram bem legais também... Tinham até algumas crianças vestidas de zumbis, o que prova que pra ser um "brain eater" não tem idade!

Reuni aqui algumas fotos tiradas por participantes do evento e por mim mesmo dos melhores zumbis em minha opinião.

                  uma das mais performáticas do evento...

              você pode ser um brain eater não importa a idade!

         "E aih, gatinha... vamos fazer uma necrofilia?"
            ---a melhor cantada pra uma zumbi--- =P
    vantagens de ser um zumbi: você não vai mais se preocupar com câncer!

                braaaaaaaaaaaaaaiiinnns!!!











               Volte sempre!


Como vocês puderam ver, o evento foi bastante "badalado"! Ano que vem eu irei, provavelmente, engrossar a fileira Zombie! 
A propósito, na minha opinião, bem que poderia rolar mais vezes... ao menos seria uma forma de atingir uma maior quantidade de zumbis... talvez 2 vezes por ano seria o suficiente...
Enfim... apenas sugestão! No mais, o Zwalk Salvador foi muito, muito bom!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Mártir ou Símbolo político...?

Há um certo tempo toda a mídia ao redor do mundo estava fazendo homenagens ao falecido ex-Beatle John Lennon, comemorando o dia em que ele completaria 70 anos. Até mesmo o google e o Orkut também prestaram suas homenagens... Vendo isso, surgiu uma enorme interrogação na minha mente: Com tantas pessoas que já fizeram algo realmente notório, com tanta coisa acontecendo no mundo... qual o sentido de todo este circo armado ao redor do "mítico" ex-Beatle?
Foi quando, como por obra do destino, encontrei em um blog um texto que me chamou atenção. Irei postar alguns trechos e o link da matéria completa no final.

Comemoração dos 70 anos de John Lennon: as santidades seculares

Nos dias que se passaram, vimos, pela mídia inteira, comemorações pelo 70º aniversário de John Lennon. Clipes, imagens emociantes e glorificação do ex-Beatle foi algo recorrente em várias matérias. Até o Google e o Orkut andaram fazendo suas homenagens ao cantor.
Mas a pergunta que fica é: existindo tantas figuras importantes, por que dar atenção especial a uma alguém como John Lennon? Pense: qual foi a contribuição efetiva que John Lennon deu ao mundo? Tirando uma coisa aqui e ali na música, a resposta é: nenhuma.
Então qual motivo poderiamos atribuir a uma reação que parece exagerada a um simples músico?
(...)
Nenhuma ideologia sobrevive sem que seja feita a propaganda de pessoas que são MODELO dessa vertente de pensamento. E John Lennon se encaixa PERFEITAMENTE na ideologia mais tendente da mídia “liberal”.
Será? Peguemos agora a letra da música Imagine, pela qual Lennon é lembrado quase sempre:
Imagine que não exista nenhum paraíso,
É fácil se você tentar.
Nenhum inferno abaixo de nós,
Sobre nós apenas o firmamento.
Imagine todas as pessoas
Vivendo pelo hoje…
Imagine que não exista nenhum país,
Não é difícil de fazer.
Nada porque matar ou porque morrer,
Nenhuma religião também.
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz…
Imagine nenhuma propriedade,
Eu me pergunto se você consegue.
Nenhuma necessidade de ganância ou fome,
Uma fraternidade de homens.
Imagine todas as pessoas
Compartilhando o mundo todo.
Você talvez diga que sou um sonhador,
Mas eu não o único.
Eu espero que algum dia você junte-se a nós,
E o mundo viverá como um único.
Quais as propostas da música? As seguintes:
  • (1) Crença ingênua no homem (como fim da “ganância” e similares);
  • (2) Eliminação da religião;
  • (3) Fim da soberania estatal;
  • (4) Fim da propriedade privada;
  • (5) Novo modelo de sociedade em uma “fraternidade” entre os homens, baseada nos quatro pontos acima;
E o que é isso senão uma mistura de globalismo, humanismo secular e socialismo?
Aliás, como se cara de pau do John Lennon pode vir falar de “sem propriedade privada” se ele era um dos maiores MILIONÁRIOS do mundo da música?
A pergunta que faço é: se Lennon, conservando as outras variáveis (participação em uma banda gigante, morte precoce – quase como “mártir”), fosse um vigoroso defensor do porte legal de armas, da repressão ao tráfico de drogas, um defensor da liberdade de mercado e um fervoroso apologista do Cristianismo, esse mesmo pessoal que o está glorificando daria a mesma atenção a ele?
A mesma coisa para as comemorações dos 200 anos de Darwin: se fosse apenas pelo aspecto científico, não fariam a mesma comemoração para tantos outros? (...)
O próprio Galileu teria seus dedos e dentes expostos como verdadeiras relíquias de santos se não fossem um grande número de boatos e mal-entendidos que o colocam como “iluminado” lutando contra o “obscurantismo” medieval? (...)
Mais do que “grandes nomes da humanidade”, eles são símbolos POLÍTICOS de certos grupos que ocupam espaços na mídia, nas universidades e no resto.
E é sob essa perspectiva que poderíamos entender a super-valorização de personalidades como John Lennon.
A comemoração midiática do aniversário de 70 anos do ex-Beatle, mais do que uma homenagem proporcional à uma obra musical, demonstra um reflexo do pensamento “moderninho” que escolhe seus heróis como os cristãos escolhem seus santos.





quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Entrevista com Stefanie Schirmbeck da banda Holiness

Oriunda da cidade de Erichim no Rio Grande do Sul, a banda Holiness teve seu embrião formado em 2006, de maneira descompromissada, apenas como um projeto de voz e violão com Stefanie e Cristiano. Mas, conforme as primeiras composições tomavam forma, em 2008 a Holiness surge oficialmente como uma banda. Atualmente em divulgação de seu primeiro álbum "Beneath The Surface", produzido por Aquiles Priester (Hangar), a banda vem se destacando pela sonoridade bastante distinta, quebrando velhos paradigmas que rodeiam bandas com vocal feminino. Hoje conversamos com a vocalista Stefanie Schirmbeck que nos contou um pouco mais sobre a história da banda, os planos para o futuro e muito mais!


TME: Para iniciar, como de costume, gostaria que nos contasse um pouco mais da história da banda para aqueles que ainda não conhecem.

Stefanie: Olá TME! Holiness começou como um projeto a dois (Cristiano e Stefanie), tínhamos apenas composições em voz e violão. Guardamos essas músicas até termos o suficiente para um álbum, e então chamamos o Fabrício e o Hércules para trabalharem nos arranjos. E assim começou a banda.

TME: Um grande problema quando se fala em metal com vocal feminino, é a similaridade com bandas como Nightwish, After Forever, Tristania, entre outras... Porém, nesse sentido, a Holiness consegue se destacar pela personalidade tanto na sua voz, quanto na música em si. À que vocês atribuem essa diferença? Esse diferencial foi algo pensado desde o inicio da banda?

Stefanie: Obrigado! Acho que nada foi planejado nesse sentido, aconteceu naturalmente, primeiro porque nenhuma dessas bandas citadas acima são influências diretas pra nós, ouvimos muitas bandas que ninguém imagina! E, claro, ninguém quer mais uma banda igual a tantas outras, certo? Não acrescenta em nada.

TME: Outro grande problema em algumas bandas com front women é o preconceito por parte de algumas pessoas. Pelo fato de julgarem primeiro a aparência e esquecer o foco principal que é a música. Isso também rola ou já rolou com vocês?

Stefanie: Ah, posso te dizer que muito pouco, ainda bem! A aparência não é o nosso foco principal, e isso reflete no comportamento das pessoas. Procuramos não colocar isso em primeiro lugar. E quanto ao preconceito, nunca rolou, pois tantas bandas com vocal feminino já abriram caminho e graças a elas hoje nós mulheres somos respeitadas no meio.

TME: Com uma sonoridade tão distinta, surge a curiosidade de saber o que influencia isso. Então, quais as bandas que servem de referência pra Holiness?

Stefanie: Bom, vamos lá! Posso te dizer o que ouvimos mais hoje em dia e na época em que as músicas surgiram: Ozzy Osbourne, Avenged Sevenfold, Guns’n’Roses, Evanescence, Lacuna Coil, Dream Theater, U2, entre outras.

TME: Uma dos fatores que chamam a atenção também na sonoridade da banda é a estrutura relativamente simples, que torna a audição das músicas mais agradável. Sem falar dos riffs com distorção mais crua que dá um tom mais agressivo. Como vocês fazem pra equilibrar tudo isso na hora de compor? Há algum tipo de preocupação em manter um padrão ou uma linha?

Stefanie: Nossa intenção foi unir vocal feminino com guitarras pesadas. O peso sempre foi primordial para nós, essencial mesmo. Todas as músicas têm como foco principal a melodia do vocal, em torno disso todo o restante foi construído.

TME: Apesar do pouco tempo de existência, vocês estrearam em grande estilo com o ótimo "Beneath The Surface" que foi produzido por Aquiles Priester (Hangar) e mixado e masterizado por Tommy Newton, no famoso estúdio alemão Area 51. Como foi a experiência de trabalhar com essas pessoas e o quão importante foi esse contato e a produção de Aquiles Priester? O resultado final correspondeu às expectativas de vocês?

Stefanie: Foi muito legal no sentido de abrir muitas portas e principalmente nos fez ver tudo com outros olhos, tanto em termos de produção quanto em relação à cena musical.
O Tommy Newton é um cara espetacular, trabalhamos com ele na mixagem do álbum e ele nos atendeu em tudo que foi possível. Foi muito gratificante. Através dessas pessoas também conhecemos o Adair Daufembach, que foi essencial na produção e gravação do Cd.

TME: Falando nisso, como se deu o contato com Aquiles?

Stefanie: Ele foi fazer um workshop em Erechim-Rs, cidade da banda, mostramos a ele nosso material, e ele demonstrou interesse em produzir.

TME: Há algum tempo você fez uma participação na gravação da música e do clip de “Dreaming Of Black Waves” da banda Hangar. Vocês acham que isso pode ter influenciado de alguma forma pra que a banda se tornasse um pouco mais conhecida?

Stefanie: Não sei te dizer até que ponto isso é verdade, pois estamos trabalhando muito na divulgação de nosso álbum e até hoje poucas pessoas me associaram ao Clip do Hangar.

TME: Recentemente vocês se mudaram pra São Paulo. O que fez vocês tomarem essa decisão e como isso vem influenciando nas atividades da banda?

Stefanie: Nos mudamos pela necessidade mesmo, em São Paulo tudo acontece, se ficássemos em Erechim a banda demoraria mais tempo para alcançar nossos objetivos. Hoje em dia estamos consolidando nosso nome, tocando em São Paulo e divulgando nosso trabalho.

TME: Concluindo, gostaria de saber quais os próximos passos da banda a partir de agora? Quais os planos para o futuro da Holiness?

Stefanie: Em breve lançaremos um web single, e mais pra frente, outro álbum. Estamos por enquanto trabalhando na Divulgação do “Beneath the Surface”, que ainda é recente.

TME: O The Mind’s Eye agradece a vocês pela entrevista e deseja muito boa sorte nesta nova fase que a Holiness se encontra. O espaço é todo de vocês.

Stefanie: Obrigado a vocês do The Mind´s Eye pela oportunidade e pelo espaço!!
Muito legal a iniciativa de vocês em apoiar e divulgar novas bandas!